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Futuro Desigual, Destino Equivalente

Enquanto Uneven Growth, Tactical Urbanisms for Expanding Megacities parece lentamente tornar-se realidade – pelo menos do ponto de vista mediático – lembrei-me de publicar aqui a versão original e completa do “white paper” onde germinaram muitas das ideias por detrás da exposição que agora se anuncia para o MoMA, em Novembro de 2014.

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Merece-me comemorar aqui o facto de a tradução portuguesa deste ensaio, que em 2011 viu a luz do dia numa publicação académica da Universidade de Gent com o curioso título de Tickle your Catastrophe, estar para breve.

Pelo menos é o que me diz um desses corajosos editores que, no meio da pantanosa crise portuguesa, ainda insiste em fazer alguma coisa.

Esta publicação junta-se assim a algumas outras, como os catálogos da conferência Once Upon a Place ou da exposição Performance Architecture, que nos últimos tempos aparecem muito a custo, a culminar os últimos projectos que levei a cabo em Portugal.

Lembrando-me desses projectos, ocorre-me quão incrível é que, em Portugal, ainda sobre gente* como a Susana – a figura tenaz por detrás da conferência sobre arquitectura e ficção, que, a propósito, tem agora a sua segunda edição já noutras paragens, infelizmente em versão um pouco mais boring.

Ainda há portugueses que, a partir do seu lugar, resistem a essa mistura de ódio entranhado e inveja encapotada pelos que querem fazer alguma coisa, que infelizmente ainda singra na sociedade portuguesa – mesmo quando a austeridade deveria sugerir maior solidariedade.

No momento em que, por outro lado, a solidariedade de gala começa, por incipiente e bacoca que seja, a substituir o Estado na manutenção do que tínhamos adquirido por básico, torna-se mais ou menos claro que estamos a bater no fundo. (Na Europa e no mundo, os outros também se estão a afundar, apenas ainda não o reconheceram.)

Talvez devêssemos começar a mostrar mais do nosso típico respeitinho por aqueles que ainda se dão ao trabalho de querer fazer – em vez de, também eles, sejam empreendedores, políticos ou agentes culturais, se dedicarem à tarefa bem mais fácil de ir para a praia

Diria com algum grau de certeza que, se há gente que ajuda a manter qualquer coisa à tona, essa é precisamente feita dos que gostam de “fazer” malgré tout.

Para dar algum alento aos que persistem, devo dizer que, como todos os projectos com alguma ambição, também Uneven Growth teve uma gestação longa e difícil – o que, de resto, continua a ser verdade mesmo após o lançamento público bem sucedido da exposição e do primeiro workshop do projecto no MoMA PS1 há duas semanas atrás.

Cohstra@MoMAPS1MoMAPS1, do modo que agora encontramos as nossas imagens… via Twiter.

Por vezes, ocorre-me que a razão essencial porque o destino me trouxe a uma instituição como o MoMA tem precisamente a ver com a necessidade inata, ou a profunda carolice, de querer levar este projecto a bom porto. (Embora, obviamente, não devesse falar antes de tempo.)

Aqui e ali e acolá e outra vez aqui, ainda sob a designação de Emergent Megalopolis, podem ainda ler-se os restos arqueológicos de um conceito nascido numa visita a Saigão há mais de dez anos atrás – num tempo da minha vida em que ainda era possível decidir, de um momento para o outro, que ia viajar durante um mês no Sudoeste Asiático.

Em Saigão, sob o efeito da percepção aguda que as viagens proporcionam, tive uma experiência decisiva e transformadora: atravessar a rua numa realidade urbana que me era inteiramente nova.

Saigon-ViaWithoutBaggageAs ruas de Saigão, a.k.a. Ho Chi Min City, via Without Baggage.

Quando se atravessa a rua em Saigão, o acto tem que ser negociado de uma forma diferente do habitual. Numa cidade sem semáforos e com milhões de scooters (como agora vim a reencontrar em Taipei) a primeira coisa que nos ensinam é que, para atravessar os antigos boulevards carregados de um fluxo de trânsito incessante, também os transeuntes não podem parar.

Quando se atravessa a rua em Saigão, temos que nos munir de coragem e avançar sempre ao mesmo passo por entre a corrente compacta de tráfego. E temos que olhar nos olhos todos aqueles que avançam para nós, para perceber se vão passar à nossa frente, ou atrás de nós.

Foi nesse momento da negociação do olhar com milhares de jovens asiáticos que nasceu a inspiração de que, mais cedo do que mais tarde, teríamos que imaginar novos modos de responder ao crescimento do urbano no século XXI.

Tal como, no inicio do séc. XX, Georg Simmel alertou para a emergência de uma nova consciência metropolitana, agora devemos preparar-nos para o estado de emergência da urbanização completa de um planeta em que os recursos, ao contrário da população, não estão propriamente a crescer de dia para dia.

E por isso vale a pena sublinhar que, depois de querer ter sido programa de televisão e documentário experimental multi-episódios, e para além do desejo de mapear de novas formas de prática arquitectónica, ou a vontade de perceber como substituir estratégias de planeamento obsoletas, este projecto é agora, apenas e só, uma investigação sobre como arquitectos e outros actores urbanos podem vir a lidar com a desigualdade e o empobrecimento progressivo de uma sociedade cada vez mais intrinsecamente global.

Under the Influence

Enquanto, para irritação certa daqueles que em Portugal se tomam como o centro da atenção, a Trienal de Arquitectura de Lisboa se abria ao mundo (aqui, ali e acolá) , eu fui antes convidado para passar pela Triennale de Milão, onde o hardcore da arquitectura portoguesa se mostra mais uma vez aos (seus) pares.

siza3Image via Bea Spoli.

Após silêncio tão prolongado deste blogue, e os inevitáveis boatos de extinção daí advindos, pensei que seria justo brindar os “meus leitores” (essa minoria insondável, entre os fiéis indefectíveis e os google translate new-comers) com o meu contributo para essa exposição que agora se abriu por terras de Itália.

Como, para minha grande desdita, a disponibilidade para o deleite da escrita se tem revelado cada vez mais escassa, também aos organizadores da exposição tive que propor uma revisita a um texto que havia escrito há precisamente quatro anos – e que aqui também deixo à mão de semear.

Felizmente, e como por sorte me sucede acontecer, a revisita não resvalou necessariamente para o plágio em casa própria, ou, em termos mais pós-modernos e legitimantes, para a mera (auto)-apropriação, mas resultou antes numa curiosa actualização da estória e dos personagens que antes inventara.

Assim, mais linkado* aqui do que o papel ou o painel permitirão, aqui fica o meu pequeno texto para a exposição Porto Poetic, para que um dia os exegetas tenham a tarefa facilitada, pelo menos no que diz respeito a descobrir conexões, referências e outras ligações obscuras que, por alguma razão misteriosa, fazem sempre parte do prazer do texto.

Regeneração Debaixo do Vulcão

Quando se fala de cultura, as figuras de referência são o que se pode chamar um benefício contraditório. Essas figuras raras – génios, talentos incontornáveis, personalidades brilhantes – dão lugar a um paradoxo que apelidarei de “debaixo do vulcão.” Quando existem figuras de reconhecimento e prestígio excepcional num determinado campo de actuação cultural, é mais que certo que o valor que se introduz nesse campo é positivo. O capital cultural, como lhe chamaria Pierre Bourdieu, eleva-se às alturas. O campo torna-se mais rico. Sob a famosa “ansiedade da influência,” cresce a exigência e, logo, a qualidade.

No entanto, a situação não é desprovida de riscos. O campo pode “paralisar” devido a um excesso de carga positiva – o que se pode evocar como o “efeito Glenn Gould.” Perante a impossibilidade de superar as mencionadas figuras de referência, o campo cede à lógica da “terra queimada,” à criação de um no man’s land onde nada cresce durante gerações. No campo da arquitectura, este efeito é deveras conhecido, associado a personagens maiores como Le Corbusier, ou Óscar Niemeyer. Após o fulgor destas figuras maiores, parece apagar-se o brilho das gerações que se lhe sucedem.

Entre estas duas vertentes pode surgir também o estado “debaixo do vulcão” – que no passado tive oportunidade de descrever a propósito da arquitectura portuguesa. Como a presença de um vulcão no horizonte próximo, escrevia, personagens como Siza Vieira ou Souto Moura originam um território fértil. No entanto, “perante a eminência permanente da devastação,” podem também gerar um estado de suspensão hipnótica. Assim, a arquitectura portuguesa contemporânea, como o vice-cônsul do famoso romance “Under the Volcano” de Malcolm Lowry, viveria “simultaneamente inebriada e deprimida.”

UndertheVolcano

 …

Perante a dificuldade de copiar Siza, ou a facilidade de copiar Souto Moura, perante a evidência da fertilidade ou a eminência do vazio, as gerações pós-Pritzkers encararam um falso dilema: continuidade ou ruptura? Essa era, pelo menos, a tónica do discurso critico que também crescera à sombra do vulcão. Contribuí para a agitação das almas, propondo que, entre esses dois pólos, duas gerações emergiriam em Portugal num curto espaço de tempo. Essas gerações não eram assim tão diferentes. Mas, como mostrado na Bienal de Veneza de 2004, manifestavam diferentes apreciações das cinzas onde prosperavam.

A geração que levava a “continuidade” para novos territórios – e que é agora re-apresentada em Porto Poetic – fez-se herdeira legítima dos mestres, permitindo-se introduzir novas influências e perspectivas no seu legado. Usufruindo da proximidade geográfica e emocional ao vulcão, pelo menos enquanto aí havia espaço, cultivaram diligentemente o  terreno fecundo deixado pelas magnas erupções do passado.       Trouxeram novos instrumentos e técnicas, importaram referências do estrangeiro ou dos campos adjacentes da arte, e garantiram que a fertilidade dava os seus frutos.

A geração que era acusada do pecado da “ruptura,” não era menos dada a gerir a fertilidade que encontrara no chão onde crescera. Porventura mais volátil e inconstante, como costuma ser apanágio da juventude que pode sê-lo, apenas precisava de mais tempo para dar uso aos talentos que lhe foram confiados. Viajaram para longe do vulcão, pensaram eventualmente em estabelecer-se noutros territórios convenientemente distantes. Voltando ou não voltando, usufruiriam, também elas, do caldo genético que o vulcão deixara nas suas terras de origem.

Revisitada esta estória, é justo dizer que o trocadilho contido no termo “re-generation” é apropriado à descrição das novas gerações de arquitectos portugueses, quer estes sejam aclamados pela “continuidade” ou pela “ruptura.” Entre vulcões e pools genéticas, a importância da herança da arquitectura portuguesa, e de Siza Vieira em particular, é mostrar que a arquitectura se faz por regeneração, miscigenação, renovação.  Como dizia o outro, parar é morrer. Portanto é preciso que cada geração construa algo novo sobre aquilo que lhe é deixado. Uma vez que se compreenda isto, tudo o mais é relativo.

Nova Iorque, Agosto 2013

Turista Acidental (Dose Dupla)

Não sei bem se por preguiça (de deixar as imagens falar) ou por necessidade (de deixar o registo ficar), sempre desejei começar aqui uma espécie de travelogue que me permitisse deixar instantâneos e impressões das inúmeras viagens que tenho vindo a fazer por “obrigação profissional.”

De regresso de Zurique, acresce, senti-me inundado por uma sensação que seria arrogante, se não fosse também sinceramente humilde: reconhecer um enorme privilégio por, entre outras solicitações, poder continuar a fazer um circuito intenso e variado de conferências um pouco por todo o mundo.

Raramente vejo as conferências como um fim em si. É certo que é bom contribuir com o conhecimento que, por alguma razão, se acumulou. Mas a secreta atração das conferências sempre foi, para mim, a possibilidade de conhecer lugares, instituições e pessoas interessantes: criar redes e acolher novas perspectivas.

ZurichZurique em versão postal ilustrado.

Na ETH de Zurique, para além de estreitar laços com uma network de Arte e Arquitectura do MIT agora espalhada pelo mundo, gratificou-me poder dialogar em palco com a fabulosa Ute Meta Bauer, alguém que apenas se pode descrever como uma referência incontornável da curadoria contemporânea.

Comentámos que, curiosamente, já nos tínhamos cruzado quando há 12 anos atrás organizámos exposições que se sucederam na agora sub-utilizada galeria da Biblioteca Almeida Garrett, no Porto – obviamente por ocasião da swan’s song da cidade que foi a Capital Europeia da Cultura de 2001.

1PostR05Post-Rotterdam, uma estreia curatorial há 12 anos atrás.

(A Ute Meta Bauer no Porto, em 2001, como outros ao longo dos anos, diz algo do talento português para identificar e trazer a casa quem está prestes a explodir na cena internacional. É de relembrar que, depois do convite de um dos nossos primeiros cultural exilées, Miguel von Haffe Perez, a Ute prosseguiu para dirigir a Documenta e a Bienal de Berlim, antes de, como tantos europeus hoje em dia, ser ela própria cativada por uma instituição americana).

Em Zurique tive a oportunidade de observar como, na última verdadeira bolha de bem-estar do território europeu, a qualidade de vida continua acima de qualquer média. E as instituições como a ETH renovam-se virando-se para fora, para esse mundo em convulsão que verdadeiramente pode beneficiar da enorme acumulação de conhecimento da Europa.

Depois de conversar com Marc Angélil, o director do Master de Urban Design da ETH, e Hubert Klumpner, dos Urban Think Tank – que após o sucesso de Veneza são agora também “residentes” na Suiça – concluí que a minha intuição estava correcta quando pensei incluir a ETH no meu próximo projecto curatorial.

Com os labs de Columbia e MIT (justamente), a ETH é a outra instituição académica que, ao lado de colectivos emergentes e ateliers locais, deverá fazer parte do grupo de participantes de Uneven Growth, Tactical Urbanisms for Expanding Megacities, a exposição que, desvele-se, está prometida para suceder a Rising Currents e Foreclosed no MoMA…

Adiante, porém, ou para trás, de Zurique para Kuwait City – que, em rigor, deveria ter correspondido ao meu falhado travelogue de Março. Eis pois outra cidade imensamente afluente que me vejo revisitar amiúde, pelo menos em memória,  quando conto a quem me quer ouvir que este foi um dos mais estranhos sítios que já se me deu conhecer.

Kuwait1Room With a View #35, 2013. 

A primeira imagem que tive do Kuwait quando acordei no meu hotel foi talvez sintomática: uma paisagem lunar e desértica, que só mais tarde compreendi ser um cemitério. Decepcionado com a ausência de urbanização galopante, pedi que me mudassem de quarto.

O Kuwait é diferente do mais mediatizado Dubai por uma razão essencial: o petróleo foi descoberto mais cedo, nos anos 30. Portanto os naturais do Kuwait consideram-se naturalmente um povo à parte, obviamente muito menos nouveau riche que os seus companheiros do Golfo.

Kuwait3aRoom With a View #36, 2013

Convidado por Zahra Ali Baba, do National Council of Culture, Art and Letters, para falar sobre plataformas de divulgação e reflexão de arquitectura, esta foi uma oportunidade para conhecer um quadrante da geopolítica política totalmente novo para mim. (Como nos livros do Tintin, não deixaria porém de deparar com mais um português “na diáspora,” um jovem arquitecto com quem, por sinal, já tinha colaborado há não muito tempo.)

Num país onde a primeira Faculdade Arquitectura surgiu há pouco mais de 10 anos, a minha lecture inclinou-se a contrapor as diferenças e semelhanças entre as possibilidades de uma prática crítica da curadoria – algo sobre o qual já é tempo de partilhar aqui um velho ensaio  – quer essa seja feita em regime free-lance, quer num âmbito mais institucional.

No entanto, a conferência – e as escassas 36 horas que passei em Kuwait City –serviram também para anotar algumas impressões sobre um mundo à parte, pelo menos enquanto o petróleo durar pelos próximos 30 anos.

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As poucas décadas de avanço que o Kuwait levou sobre os seus vizinhos significaram apenas que este pequeno Emirado abraçou um modelo de re-urbanização um pouco diferente das opções mais recentes. Um modelo que, no entanto, quando olhado em retrospectiva, não parece menos duvidoso.

Até aos anos 30, Kuwait City não era mais que uma aldeia piscatória adaptada às duras condições locais – i.e., a temperaturas frequentes acima de 60o centígrados. Após a passagem da II Guerra Mundial sob protectorado inglês, porém, o Kuwait decidiu-se a comprar a receita urbanística da época e dedicou-se diligentemente a erradicar o seu próprio passado.

Perseguidos os ideais modernistas de um zonamento funcional estrito,  a cidade destruída pela opção urbanística de proceder a uma rigorosa segregação social e espacial, Kuwait City parece ter sofrido mais com as suas opções urbanísticas de então do que com a destruição proveniente da invasão pelo Iraque nos anos 90. Os edifícios reconstroem-se, as comunidades não.

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A segregação espacial proposto pelas corporações arquitectónicas inglesas tiveram efeitos estapafúrdios. O centro da cidade, esvaziado de habitação, esvaziou-se também de pessoas. Encheu-se, no entanto, de automóveis que – como na Islândia, mas por razões climáticas inversas – funcionam perfeitamente como uma extensão MacLuhaniana do corpo e da roupa.

Quando a minoria da população natural do Kuwait não se encontra no ambiente climatizado do seu automóvel topo-de-marca ou do seu escritório 8-to-1, é mais que certo que se encontra num centro comercial. Parte do roteiro turístico obrigatório, em particular quando nos encontramos no paraíso da cultura franchise, os grandes shoppings de Kuwait City constituem obviamente o tipo de espaços que fazem o Colombo empalidecer para a escala das Amoreiras.

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Se o centro comercial que visitei me impressionou pela escala de cidade, logo viria a descobrir que os focos de inovação urbana de Kuwait City estavam, como seria de esperar, elsewhere. Depois de comprovado que as leis secas levam sempre ao seu oposto, seria apenas a altas horas da noite que, graças ao olhar informado do Ricardo, viria a desvendar o ‘outro lado’ do Kuwait.

Como sucede quase sempre, seria no lado mais informal da cidade, neste caso no anel urbano destinado aos imigrantes e aos expatriados, que surgiriam as mais inéditas tipologias urbanas. Num lugar onde o dia é insuportável a partir da Primavera, não deveria afinal constituir surpresa que fosse do lado da noite que surgisse a realidade urbana mais exuberante.

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Por entre a necessidade, o empreendedorismo e as típicas subversões da lei – numa cidade em que, como em Zurique, o controlo parece absoluto – a ocupação dos interstícios entre edifícios levaria a uma proliferação de pequenas unidades comerciais que, com as suas variações festivas e a distância à cultura climatizada do franchise, parecem ser a única coisa que devolve a vida a Kuwait City.

Black Friday (Confidências do Exílio)

So, I’ve enjoyed my first (discrete) Thanksgiving in New York, and today people out there are having another consumeristic frenzy – while retailers respond accordingly, namely extending shopping times and dragging underpayed labor to work on what used to be the most sacred American holiday.

Where this sacred and blind belief in consumerism will drag the U.S., I don’t know. But it does sound unpromising, specially when one knows that around 2030 we will need 2,5 planets to feed the population on Earth. In this age of interconnected global disaster, believing that one’s backyard empire will remain unaffected by such a lack of resources sounds silly and irresponsible.

This Black Friday was also the dark occasion in which I received news that my old publishers in Amsterdam, Sun Architecture, are currently holding a massive sale of their architecture titles, thus confirming the end of a beautiful, but apparently untimely editorial project.

Those were the editors that welcomed Beyond and its Short Stories on the Post Contemporary. The good news is that, if you had an interest in Beyond and were put off by its pricey cover value, you may now order the bookazine series with unique fictions by up and coming European architectural writers for only 15€!

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Yes, you have read correctly: fifteen euros for the three published volumes of Beyond at a distance of a click! A true Black Friday bargain!!!

This made me feel sad, of course. Ultimately, it’s just another episode of Europe’s anihilation of its best asset: cutting-edge cultural production.

With cultural cuts happily leading austerity measures even in the richest of countries –  and the private sector inevitably aligned with public policy – Europe takes care of its self-destruction by wiping out what could be its largest future export: intelligence, design culture, creative thinking.

Even if only for touristical purposes, production of culture in Europe was a powerful and profitable investment: beyond German engineering, European culture, as its welfare State, produced the profile and richness for which Europe was recognized, visited and looked at as a desirable model.

However, when austerity measures are the rule, culture is considered superfluous. Along the same line of thinking, Europe’s investment in higher education too is to be trashed and emulate the production of inequality and profit that is typical of the anglo-saxon education model – until that bubble also burstsand perhaps demonstrates that there is nothing really interesting to emulate in such a model.

One wonders if the desinvestment in a democratic access to education is part of an invisible class war, or if it is solely a pragmatic response to the fact that, after all, higher education in Europe only contributed to produce its most cultured ‘lost generation’ ever…

It’s not only in the South European countries, and not only amongst its young, however, that Europenas are faced with the dilemma of either unemployment or self-imposed exile, i.e, choosing emigration as a way of escaping recession (and its silent partner depression).

I’ve landed in MoMA because I felt I had to look for alternatives – thus enjoying the privilege of spending a terrible period for Portugal in a golden exile. Recently, though, previous directors of publishing ventures such as Actar in Barcelona, or, alas, Sun Architecture in Amsterdam, were also welcomed by Montreal’s Canadian Center for Architecture.

Many others are probably looking for similar opportunities, and, like in other historical periods, the New World gladly takes in the European talent. In other historical periods, nonetheless, there were profoundly serious reasons for the exodus of European creative minds: racial prosecution and a World War.

Now, however, while we hear that if the European Union was one nation its achievements in the Olympics would have tripled the U.S. – and as if announcing Europe’s unfortunate and miserable decline –  the only reason for the new exodus seems to be stupidity, and a definitive lack of political vision.

The Performative Turn

In the world of art, as in literary studies or the social sciences, one has got used to successive turns* by which tendencies metamorphose into one another.

Over the last decades there were the linguistic turn, the cultural turn, and, of course, also the performative turn, by the likes of which the influence of performance over other artistic media was somehow extended and confirmed.

Now, apparently also architecture has its performative turn. The prevalence of diagram or program in recent design approaches to all things architectural, like once of the principle of autonomy or the spirit of place, now gives place to every possible aspect of the performative in architecture.

Beyond the activation of program’s abstractions, and behind such a turn lies, as it would be expected, one relevant paradigm shift. And here we may speak of a return of the user – not to say simply the return of the repressed – to the troubled horizon of current architectural concerns.

After the delusions of grandeur of the recent architectural self, the ever-cyclic return to the needs of the end-user of architecture now takes place by integrating use narratives into conceptual strategies of design, but also by introducing expressions of these concerns into the very shaping of built forms.

Didier Fiuza Faustino, Opus Incertum, 2008, shown at the 11th Venice Biennial.

Thus one discovers the very imprints of bodies blooming in recent projects – reconnecting architecture with traditions of performance art –, just as one recognizes the performatic aspects of participation and self-building as instrumental in reconnecting architecture’s profession of faith with local communities and broader urban audiences.

These and similar reflections are bound to kick off the discussion on the performative in architecture that will take place this Saturday at 3pm, at the newly open, Exyzt designed Curator’s Lab, within the Art & Architecture programme of the ongoing Guimarães European Capital of Culture.

The panel is also a crucial moment of the multi-stage event and urban intervention competition Performance Architecture, which I’m curating as a last remnant of my previous free-lance livelihood in Portugal.

While key-note speaker Isabel Carlos will present her views on Performance Art and its potencial re-enactings in the contemporary urban field,  jury members Didier Fiuza Faustino, Raumlabor, A77 and Office for Subversive Architecture will show their own takes and ideas on performative architecture and the city.

The talk promises insights into some potential futures and options of a wide-spreading mode of architectural practice – while also giving way to the announcement of the Performance Architecture competition winners, who will get to build their own proposals in the public space of Guimarães.

Welcome to the New World

No. This post is not yet another tribute to Terence Mallick – although I did offer The New World* dvd to my brother over Christmas. Neither is it a sardonic bienvenue into the harshest year the Old World is about to see in a long time. (Nor is it a self-congratulatory note on my new appointment at MoMA.)

The New World. Image via satyamshot.wordpress.com.

Nope. This is only a small reminder about paradigm shifts, and changes and opportunities provided by ideological crises and stagnant realities, and the way in which architecture may these days be finally metamorphing into something completely different – as the Monty Python would surely put it.

So, this is also about the last article I’ve published in 2011, as it just came out in a great issue of MAJA, the Estonian Architectural Review. Facing the theme of architecture as event, this was ultimately a reflection on the idea of networks vs. affiliations, of which I want to give you a new year’s gift of an excerpt:

Is architecture a technical service or a cultural production? Is it both? Or is the profession actually splitting to accommodate potentially contrasting positions? Such questions illuminate how, within a heavily mediated context, social networking and cultural exchange acquire a renewed relevance. Pierre Bourdieu has classically written on how the fields of cultural production – what he, in fact, called the economic world reversed – always contain two opposed sub-fields. In contrast with a sort of extended, middlebrow production that engulfs the majority, one of these sub-fields is a restricted territory to which only a few can belong, but which actually determines the effective symbolic values at play in the whole field. Still, he considers that the two sub-fields are magnetically united by permanent transactions, including players who, by ascension or declassification, move from one sub-field to another. But what if these two sub-fields are actually splitting into two entirely different professions? What if a part of the architectural profession, namely its restricted sub-field, is detaching itself into an autonomous sphere that, although it might still inform and produce reflection on the world of construction, is no longer tied with the dimension of architecture as technical service? This would mean that a section of the profession would acquire independence as a purer form of cultural production. And would thus be ruled by the thorny, uncertain laws of culture making. Intrinsically, more than formally, this world would then be inevitably closer to the functioning of the art world – with its galleries and museums, and its biennales and events, and its collectors and markets, its media and formats, and its power games and exquisite social networks. It would be as if the Moon stopped orbiting around the Earth and turned instead to Mars. Well, beware. The Moon is already making its way to Mars.

 In Architecture, Networked Cultures and How to Make the Most of Them, MAJA #70, Tallin, December 2011

Performance Towards Participation

This week I take part in the El Arte és Ación/Performance & Arquitectura multifaceted event in Madrid. With an amazing array of participants, this will present, instill and again put to discussion the emergent connections between current practices of architecture of engagement and Performance Art.

After one or two posts on this, the event impels me to finally announce here that the international open call for Performance Architecture within the 2012 European Capital of Culture is now up and about, ready to be propagated like a benign virus to whoever might feel challenged to set out ideas, programs and architectural concepts that may win the streets back to the people.*

This open call for five temporary urban interventions in the city of Guimarães will offer kick-start prizes of 12.000€ to concepts that are able to promote the appropriation (or occupation?) of controversial public spaces by city inhabitants. Proposals are to be submitted online until January 6th 2012.

Implying that anyone who wants to contribute to the reconstruction of current notions of public space has to somehow become a full cultural producer, the competition invites multidisciplinary teams of artists, architects, designers, etc., to send out ideas that can reactivate performance strategies and simultaneously (re)invent participative architectures in the urban realm.

A one-day seminar on the theme will follow on the 25th February 2012, involving members of the juri Santiago Cirugeda, Didier Fiuza Faustino, A77, Raumlabor, and Office for Subversive Architecture, inbetween other special guests. At that occasion, the five lucky winners – who may be entitled to a one month residency in situ – will also be publicly announced, together with further 25 proposals selected for a small exhibition and catalogue.

On the Drive of Writing (and Reading)

             © Pedro Gadanho, Untitled (Tallinn Winter, 2011).  Soundtrack here.

13.

Translator Richard Howard writing on Roland Barthes reminds us of the latter’s fierce determination to assert “the pleasure we must take in our reading as against the indifference of (mere) knowledge.” Barthes, himself, evoked the writerly bliss as that which “unsettles the reader’s historical, cultural, psychological assumptions,” a specific event that “brings a crisis to his relation with language.” Meanwhile, it sounds like architecture only recently has come to be seen as a form of knowledge, a language that is related to something more than just erecting buildings. Now that its erogenous zones have been reallocated, maybe the bliss of writing (and reading) on architectural matters can be about something else. It may now be about merrily upturning our liaison to architecture’s very foundations, instead of further tying us down to its fundamentalisms, its recurring institutional incarcerations, its plain unfortunate downturns.”

in “On Experimental Architectural Writing and Its Media”

This is one of sixteen sections in a text I have recently contributed to the catalogue of the exciting Archizines exhibition, opening this Friday November 4th at the Architectural Association, in London.

While Beyond was chosen as one of the 60 independent architectural magazines on show, Elias Redstone was also so kind as to challenge me to dwell on “why it is again critically imperative for creative, fictional and personal narratives to be inventive in regards to architectural discourse and practice” – as related to media where this is still possible, as against the general (main)streamlining of culture.

The resulting exploration was an opportunity to finally weave together some wandering ideas on the pleasures of writing and reading architecture, especially after my participation in the On Experimental Writing panel debate, at the CCA, back  in February. (The podcast is still available on that link).

Beyond criticism, press releases and other boring reports on what’s up in the world of architecture, I specially wanted to focus on how writing can and should be a practice on its own terms, one that nonetheless only accomplishes itself when it reaches the reader through what Barthes appropriately called bliss.

Being an avid, curious reader, I tend to consider any text that fails to sustain my attention simply badly written. Fiction itself is about the precise technique with which one delivers a story, more than about the inventiveness of the narrated facts. Good writing is one that captures its reader through both idea and form.

This being said, there is a considerable difference in between the baroque complexity of one Pierre Bourdieu – in which the sheer strength of the ideas surmounts a decided, purposeful difficulty imposed on his readers as a sort of initiation rite – and someone whose thoughts are simply insipid and unclear.

Texts must want to communicate. They must want to communicate ideas, or emotions, or even straightforward information. In an age of information surplus, texts that lack such inner, initial desire, become merely superfluous. Vain. And the same should be said of any form of communication, architecture included.

Useless Architecture?

The name of this talk evokes the title of a recent conference given by Peter Eisenman. In Wither Architecture? the gentle and mature starchitect situated his recent practice within a double condition of lateness: a late work in the career of his author, and also an inevitable expression of the often called late capitalism. A charming weakness emerged from the almost anxious, if self-ironic, attempt to inscribe his work in the flow of architectural history. Eisenman’s obsessive use of fictional, historical or topographical grids to intellectualize and justify the form of his buildings came about as a means to achieve disciplinary legitimation. However, this was also a Piranesian prison that kept the creator from the pure creative act. Uttering a kind of last will, the architect aspired to one of the most useless and unreachable aspects of architecture: everlasting recognition. So as to produce relevant architecture, do we really need the various legitimations of visibility? Is architectural culture utterly useless or is it’s thinking strictly necessary to reiterate again and again the ultimate, unobvious usefulness of buildings?

This is the concept I’ve presented to ExperimentaDesign when invited to host one of their 2011 OpenTalks. With talk hosts such as curators Hans-Ulrich Obrist and Zoe Ryan, this promises to be one of the biennial’s Opening Week highlights, taking place as from today at 11am  in another amazingly empty heritage building in Lisbon’s historical core, until recently the home to the Boa Hora Law-Court.

.. At Trial in Boa-Hora Court, 1980. Via Memoriando.

So, this is the weird setting in which tomorrow at 11am invited ladies Alexandra Lange, architecture critic at the Design Observer, Folke Koebberling, from Koebberling & Kaltwasser, and Gretchen Mokry, from Architecture for Humanity will take architecture culture to martial enquiry…

The issue here is not really if buildings and shelter are useful, which they obviously are, but more if we may dismiss architecture thinking and its (dis)contents as distant and useless – as so many seem to assume too quickly.

The Man Whose Head Expanded

The man whose head in fact exploded captured the meager and eager attention of local and regional sensationalist tabloids in the early eighties. He was an unbeknownst artist, until he alleged that he had been a minimalist, a conceptualist and a pop artist, all simultaneously, and before their due time. His wonderful and frightening story gained him a place in the history of alternative pop music around 1982. As the song that immortalized him went, “the scriptwriter would follow him around, the soap opera writer would follow him around, and use his jewels for t.v. prime time.” (more…)

As GMG House is enjoying its second breadth of international appearances and is popping up in magazines across the globe, I guess it’s about time to add it to this blog’s architecture archive, along with the short story I wrote to go with it.

GMG House © Fernando Guerra, FG+SG Architectural Photography.

I don’t refer often to my own architecture practice in this space. That’s probably because I don’t do that much architecture. Maybe I build one project every two years. But when I do, I do it with extreme pleasure and hoping that this bliss will pass onto others, and preferably into their own lives. Indeed this may illustrate my lazy maxim that is better do do less, but to a maximum impact.

After it launched in Mark and Domus in May and was published online at Design Milk, the house’s images have literally tumblered around like arsoning, thus introducing me to the wonderful and frightening world of microblogging. In this rentrée, though, more people can now peruse through GMG House in print.

See GMG house in Frame #82, Icon #100, Azure 09.11, AIT 7/8.2011, MD 9.11

Media success, however, does not necessary equal new clients. And that has the fortunate outcome of still allowing me to delightfully wander in between 2 or 3 different activities that are essential to my intellectual wellbeing. One practice, after all, keeps my mind off the other. And all of them inform each other.

The Rise of Performance Architecture

In the last decade, ephemeral architecture practices of numerous architects and artists collectives have been developing as a critical answer to the results of growing mobility in the recent neo-liberal context, using various performative tactics for “activation” of the local potentialities for social change. The most interesting ephemeral architecture projects are fast-statement critical practices, collective actions towards the creation of temporary places for encounters in an ever-changing urban environment.
 But, because these actions have to be strongly connected to longer-term local actions, they must assume a transitory nature that calls for a social transformation, for a next step. This is very performative. And this is where the performative action becomes a radical social gesture that goes far beyond the production of an aesthetic object.

In TodaysArt Festival Brussels 

Sometimes one gets the funny idea that a certain trend is gathering memento. One thinks about it and presents the notion to a couple of friends. Given the opportunity, one writes an article about it. And then one organizes it as a proposal for a potential exhibition that will allow for further research.

With the notion of Performance Architecture most of these steps took place around 2006. My first article on it came out in a student archizine in 2007. The “exhibition” was first suggested to Mirko Zardini at the CCA, just before the 2008 finantial crash put an halt to all the institution’s external projects. And then it was again proposed to Laboral, and the Lisbon Architecture Triennale, and the Barbican. However, it seemed to be too soon* to all of them.

Finally, a few weeks ago I’ve signed the contract that signals the idea found its first partners at the Guimarães 2012 European Capital of Culture. As such an international competition is to be launched in October for five ephemeral interventions in the Portuguese “cradle city.” Look forward to it.

At the same time, events coincidentally started to pop-up across Europe suggesting that the unexpected relationship between Performance Art and Architecture is now something to watch for.

In fact, while Madrid-based Ariadna Cantis curated an event along similar lines in 2009, it seems that it is only this year that the notion is being more amply recognized and debated – when some of its noteworthy protagonists have reached already more than a decade of consistent urban interventions .

After the unexpected, yet historical and festive gathering of some relevant protagonists of this tendency at the disPlace conference, as organized by Dédalo magazine in Porto, new conference events around the theme will now take place in Den Hague and Brussels, at the TodaysArt Festival, and later this year again in Madrid, at the IV Encuentro Internacional El Arte Es Acción.

It might take a few years for certain tendencies to become clear. But when they do, they do. Or they will. Specially when they are coming from the streets. And this is not a bonfire of vanities. It is a matter of both emergency and urgency.

Sit Down and Enjoy the Flow

While finishing classes for the academic year of 2010-11 and already preparing to join the Realdania/IFHP/DAC  “Another Urban Future” think-tank in Copenhagen – to again visit the Danish capital for the first time in 20 years – I couldn’t but think of just sitting down and enjoying the flow of information that one has to suspend if one wants to carry with business as usual.

In this case, going back to the dark side of your email inbox is quite enough to delight in immediate possibilities for reflection. With our focusing on communication tools such as Facebook or Twitter, we constantly overlook how the much humbler email has changed our lifes – and our possibilities of (net)working internationally at considerable low cost…

This is not only about the instanteinity of communication across the globe, or the innumerous newsletters updates one consumes at daily rate and absurd speed. This is also about how painful – and deadening on a one person-structure – it would be to print, fold, envelope, lick, stamp, and take 20, 30, 40 letters a day to the nearest post office. Unconceivable and yet only 30 years distant.

Indeed, if I would have to consider what was the electronic tool that has brought us to our current state of affairs after the invention of personal computers, I would have to state that this was the email.

And this small digression is only to start telling you about two or three things on my inbox that tickled my curiosity enormously over the last weeks – before I archive them into an almost inevitable oblivion.

The first are news on an intriguing project sent in by Beyond #01 contributor Antonio Scarponi, the bright mind behind Conceptual Devices.

I think my enthusiasm for Malthus, A Meal a Day was triggered because it reaches into that dominion of design fiction that, parallel to architecture fiction, very effectively feeds our imagination of the future ever since Anthony Dune and Fiona Raby started to devise weird scenarios to explain their startling objects.

But I also got carried away because of its connection to a text that impressed me earlier on. In the unexpected context – or not so much – of an architecture magazine, “L’Agriculture en Ville” by Etienne Chobaux simply explores the current possibilities of hidroponics, aquaponics and aeroponics and shows us how the future of food may be about to change oh so drastically.

This sort of future visions is the thing that ultimately prevents me from being a depressed pessimist on account of the information I access every day: they reveal the incredible but proven potential of the human mind to permanently (re)create, (re)think, (re)improve and transform its technologies and inventions.

Socially, or in terms of the current history of our democracy, we seem to be placidly looking at the decline of another roman empire from the very comfort of our living rooms. We seem indecided to muse on revolt or to just remain indifferent vis-a-vis the spectacle of luscious greed merrily overcoming any possible rationale of well-distributed progress.

The possibility of sanity then probably arises from the lone fact that we secretly know – or want to believe – that some people out there are still diligently blinding themselves to the reality around them and just moving on with their own doings – and with their own micro-narratives of possible progress.  We somehow expect those people to be our guarantee for ‘another future.’

And while I’m pretty sure Antonio Scarponi does his best day-to-day efforts to prevent himself from considering that Silvio Berlsconi’s really exists, all of this pretty well relates to another blog feed that just landed on my personal email from DPR Barcelona.

DPR’s quote of Zizek provides an excellent opener for a peculiar reflection on how again, and as we are one,* architecture can be political, even if also assumedly withdrawing from the violent assaults of current reality.

Curiously, Ethel Baraona and César Reyes’ contribution to a larger blogiscussion reflects upon the project of a Greek architect, Aristide Antonas, featured above. And, as their text eventually suggests, this is not an unrelated happenstance.

Coincidently, my forthcoming claim that architects must go back to the streets – an op-ed for Domus that states that… they are already doing it – also inevitably echoes the violence that, while munching dinner with our small children, we sense rising daily in the very same cities that more than two thousand years ago saw the unconscious, mythological birth of Western democracy.